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Reprovação - problema de quem?

  • Foto do escritor: Eduardo Meneses
    Eduardo Meneses
  • 14 de nov.
  • 2 min de leitura

Reprovar deixou de ser um problema do aluno


Durante muito tempo, a reprovação era um marco na vida escolar. Funcionava como alerta: era preciso mais dedicação, mais esforço, mais responsabilidade.


Hoje, porém, a reprovação deixou de ser um problema para o estudante e sua família — e passou a ser um problema político e estatístico.


Para os governos, cada aluno reprovado é um número negativo nos relatórios da rede: um índice que pesa na planilha, afeta metas e “resultados”.


Assim, o sistema se ajusta para garantir aprovação a qualquer custo, mesmo que isso signifique empurrar gerações para frente sem base, sem leitura, sem escrita e, muitas vezes, sem respeito.


Enquanto isso, os alunos já perceberam que não há consequências reais. A lógica é simples: estudar ou não estudar dá quase no mesmo. A escola perde autoridade, o professor perde voz e o aprendizado perde sentido.


Quantas vezes nós, professores, ameaçamos tirar pontos ou dar nota em determinada atividade — e os alunos simplesmente dão de ombros, sem mudar absolutamente nada na postura?


A reprovação, que deveria ser exceção e sinal de alerta, virou tabu. Fala-se em “progressão continuada”, “promoção automática”, “avaliação formativa”, mas muitas vezes o que há é abandono pedagógico disfarçado de inclusão.


O resultado está diante de nós: estudantes que não compreendem o que leem, que não se responsabilizam pelo próprio aprendizado e que encaram a escola como um espaço de passagem, não de formação.


Ao mesmo tempo, o sistema nos proíbe de basear a avaliação apenas em provas e exige trabalhos — mas não indica o que fazer quando o aluno simplesmente negligencia o trabalho. Na data de entrega, cadê? Não aparece nada. E, ainda assim, o professor é obrigado a atribuir uma nota (que não pode ser zero).


A educação pública precisa voltar a tratar aprendizado como prioridade, não como estatística. Porque o verdadeiro fracasso não é o aluno repetir um ano — é o Estado repetir os mesmos erros.

 
 
 

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